O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ajuizou uma ação civil pública contra a influenciadora Virgínia Fonseca e a plataforma de apostas Blaze, pedindo a condenação dos dois ao pagamento de R$ 120 milhões por danos morais coletivos. A ação foi protocolada nesta quarta-feira (8) e acusa a influenciadora de incentivar seguidores a apostar durante a partida entre Argentina e Cabo Verde, válida pela Copa do Mundo de 2026.
Segundo o MPDFT, Virgínia divulgou a plataforma de apostas por meio dos Stories do Instagram, sem identificar de forma clara que se tratava de publicidade. O órgão também afirma que a influenciadora teria recebido cerca de 30% sobre as perdas dos apostadores que acessaram a plataforma por meio de sua divulgação.
Na ação, o promotor de Justiça Paulo Binicheski sustenta que Virgínia e a Blaze mantinham uma “engenharia predatória de exploração”, aproveitando-se da vulnerabilidade dos consumidores para estimular apostas e obter lucro.
Durante a investigação, servidores do Ministério Público se cadastraram na plataforma para acompanhar seu funcionamento. Conforme o órgão, foram identificados e-mails promocionais com promessas de vantagens aos usuários. Além disso, a Promotoria de Defesa do Consumidor informou ter recebido cerca de 42 mil reclamações contra a Blaze.
Para o promotor, a divulgação de plataformas de apostas por influenciadores pode incentivar comportamentos compulsivos e criar uma falsa percepção de ganhos fáceis, contribuindo para prejuízos financeiros dos consumidores.
Em nota, a defesa de Virgínia Fonseca afirmou que tomou conhecimento da ação pela imprensa e que apresentará sua manifestação durante o processo. O advogado Sanderson Mafra negou qualquer atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores e defendeu que uma eventual responsabilização deve ser baseada em provas concretas.
Já a Blaze informou que atua em conformidade com a legislação que regulamenta as apostas on-line no Brasil e que prestará os esclarecimentos necessários quando for oficialmente notificada pela Justiça.
