Documentos relacionados à operação do Porto Piauí apontam dificuldades nos testes para realização de operações de transbordo de cargas em Luís Correia. Os registros indicam que uma das embarcações escolhidas para os testes possui calado superior ao limite autorizado para acesso ao porto, levantando questionamentos sobre a viabilidade da operação nas condições previstas.
De acordo com os documentos, a Capitania dos Portos do Piauí estabelece em 4,2 metros o calado máximo autorizado para embarcações no Porto de Luís Correia. O navio KONTA II, utilizado pelo Governo do Piauí nos testes, possui calado próximo de 4,9 metros quando carregado. A diferença entre os limites autorizados e as características da embarcação chega a aproximadamente 70 centímetros.
Os documentos também mostram que duas autorizações foram emitidas para a realização de manobras envolvendo o navio. A primeira, concedida em junho, previa uma operação de desatracação, mas o prazo terminou sem que o procedimento fosse realizado, levando à revogação da autorização. Em julho, uma nova autorização foi emitida, desta vez com prazo de apenas dois dias, mas a operação novamente não ocorreu.
Entre os motivos apresentados para o segundo teste está a falta de certificação de dois rebocadores que seriam utilizados na operação. A exigência já constava na primeira autorização emitida pela Capitania dos Portos, o que evidencia que uma condição de segurança necessária para a realização da manobra ainda não havia sido atendida.
As dificuldades nos testes também podem afetar o cronograma previsto para a exportação de minério de ferro pelo terminal. O Porto Piauí possui contrato de cinco anos com a mineradora Lion Mining, com previsão inicial de início das operações em maio de 2026. Até o momento, porém, o cronograma não foi cumprido, acumulando meses de atraso.
Apesar de existir um estudo técnico elaborado para detalhar a operação de transbordo entre embarcações, os testes realizados até agora não conseguiram comprovar a execução da manobra. Os documentos levantam questionamentos sobre as condições efetivas de operação do porto e sobre o cumprimento dos requisitos necessários para que o terminal possa receber e movimentar as cargas previstas. As responsabilidades pelos atrasos e as condições para a retomada dos testes ainda precisam ser esclarecidas pelos órgãos envolvidos.
Fonte: TV Blocão



